domingo, 15 de Novembro de 2009

delida navegação


Abraço o silêncio

quando quero que me abarques

por completo

nada perdendo de mim

em palavras

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

comemoração do som


Na casa vazia

o silêncio aborrecido e pobre

condenava os meus gestos


à solidão


hoje nessa casa

o silêncio são sensações

e gestos bem abertos


ao dia


e quando quero

o silêncio é só silêncio

e o vazio é uma janela


sábado, 17 de Outubro de 2009

dawning dust


"Mais do que uma vez
atravessei a primavera
com os olhos fechados"

Jorge Sousa Braga, O Poeta Nu


Epílogo


A noite é um rio que vai dar ao dia, ou o dia um respigar de luz que se funde nela.


Por vezes desperto

com a sensação de ter dormido de mais

continuo a sonhar

esquecendo o próprio sonho

do sono restando a-

penas

a luz.


Leio, nos olhos, os teus, os meus,

as substâncias invisíveis

que o vento transporta,

como um friso cronológico.

Nada vejo no que procuro,

mas talvez encontre algo

na direcção

a que aponto o olhar insatisfeito


por vezes o mundo desperta

obscuro do que julgava ser claridade

doutras revela-se evidente e agudo

na escuridão

em que amanhece


[prólogo]


mas na mesma

se tinge de cores

e de sentidos

uma manhã