Abraço o silêncio
quando quero que me abarques
por completo
nada perdendo de mim
em palavras
Palavras soltas, largadas ao vento. Amanhecer cinzento, ou rosa, obscuro ou luminoso, de olheiras ou pupilas líquidas e permanentes.
Abraço o silêncio
quando quero que me abarques
por completo
nada perdendo de mim
em palavras
Na casa vazia
o silêncio aborrecido e pobre
condenava os meus gestos
à solidão
hoje nessa casa
o silêncio são sensações
e gestos bem abertos
ao dia
e quando quero
o silêncio é só silêncio
e o vazio é uma janela
Epílogo
A noite é um rio que vai dar ao dia, ou o dia um respigar de luz que se funde nela.
Por vezes desperto
com a sensação de ter dormido de mais
continuo a sonhar
esquecendo o próprio sonho
do sono restando a-
penas
a luz.
Leio, nos olhos, os teus, os meus,
as substâncias invisíveis
que o vento transporta,
como um friso cronológico.
Nada vejo no que procuro,
mas talvez encontre algo
na direcção
a que aponto o olhar insatisfeito
por vezes o mundo desperta
obscuro do que julgava ser claridade
doutras revela-se evidente e agudo
na escuridão
em que amanhece
[prólogo]
mas na mesma
se tinge de cores
e de sentidos
uma manhã