domingo, 10 de Janeiro de 2010

jazzeando imaginativo pelos passeios


Da cidade ao que sinto dentro de mim
vai uma viagem de introspecção
que faço porque tenho de ir de manhã
bem cedo para o autocarro com frio
ou sol quente, e como tal hoje há menos
palavras que se enredem na noite
de nada expectante, noite imensa
e futura, noite inútil, de fim-de-semana,
e querida, desejada, reconfortante no seu
regresso regular,
sempre fugidia como o pensamento
para a introspecção da manhã
seguinte, onde me quero não encontrar
agora, no sono, viagem
breve encontro amoroso
com a manhã
uma espécie de rapariga Alba
separada do amante pela luz

domingo, 15 de Novembro de 2009

delida navegação


Abraço o silêncio

quando quero que me abarques

por completo

nada perdendo de mim

em palavras

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

comemoração do som


Na casa vazia

o silêncio aborrecido e pobre

condenava os meus gestos


à solidão


hoje nessa casa

o silêncio são sensações

e gestos bem abertos


ao dia


e quando quero

o silêncio é só silêncio

e o vazio é uma janela


sábado, 17 de Outubro de 2009

dawning dust


"Mais do que uma vez
atravessei a primavera
com os olhos fechados"

Jorge Sousa Braga, O Poeta Nu


Epílogo


A noite é um rio que vai dar ao dia, ou o dia um respigar de luz que se funde nela.


Por vezes desperto

com a sensação de ter dormido de mais

continuo a sonhar

esquecendo o próprio sonho

do sono restando a-

penas

a luz.


Leio, nos olhos, os teus, os meus,

as substâncias invisíveis

que o vento transporta,

como um friso cronológico.

Nada vejo no que procuro,

mas talvez encontre algo

na direcção

a que aponto o olhar insatisfeito


por vezes o mundo desperta

obscuro do que julgava ser claridade

doutras revela-se evidente e agudo

na escuridão

em que amanhece


[prólogo]


mas na mesma

se tinge de cores

e de sentidos

uma manhã